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sexta-feira, agosto 24, 2007

A explicação

Como este blog tem os dias, literalmente, contados, e porque eu próprio relatei duas impressões sobre as minhas raivinhas de estimação (aqui e aqui), eis que falta o retrato da minha opinião sobre Cesária Évora.

Não tem a ver, necessariamente, com a música. Consigo ouvir mornas, sem problemas, mas não repetidamente. Não é o meu estilo favorito, mas tal como noutros ritmos, farto-me de ouvir sempre o mesmo, horas a fio. Consigo dançar, balançar-me, ir na onda, mas nunca infinitamente. Aliás, esta é mais uma das razões porque não vou a raves.

A raivinha em relação à Cesária é mais profunda: tem a ver com a imagem que ela transmite (transmitiu?), em relação ao abuso do alcool. Talvez seja por um caso que me foi muito próximo, por figuras que vi fazerem mesmo ao meu lado, talvez. Ir para cima de um palco completamente embriagada... A voz arrastada, os olhos semi-cerrados, o cambalear permanente... Faz-me lembrar, sempre, a imagem triste que Bob Dylan deu no Live-Aid, no original, o tal promovido por Geldof, largando a guitarra e zurrando qualquer coisa para o microfone. Uma figura mediática, precisamente e até por isto, não pode dar-se a estes ares e cobrar respeito.

Eu gosto de beber os meus copos e quejandos, mas não vou a seguir ter reuniões com clientes ou fornecedores. Está dito.

Colocado por Bart Simpson 5:46 p.m.